sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Robert Brownjohn, tipografia como conceito

Aos que se quer nunca ouviram falar em Robert Brownjohn, até sendo possível já inexistência de artigos sobre o mesmo na língua portuguesa, foi talvez um dos designers gráficos mais bem conceituados durante os anos sessenta e até hoje continua ter representatividade devido seu modelo de concepção gráfica na qual misturava elementos tipográficos com conceitos atribuídos a imagem contribuindo dessa forma para a ideia que tipografia, no popular fonte, poderia ir além do que ser um auxiliador visual, mas, o próprio significado.

Nascido em Nova Jersey, 8 de agosto de 1925, Brownjohn desde muito jovem demonstrava possuir aptidão as artes gráficas indo estudar no Instituto de Design, em Chicago, outrora conhecida como New Bauhaus fundada pelo também designer László Moholy-Nagy por tentar dar prosseguimento ao desenvolvimento conceitual da Escola de Bauhaus originada na Alemanha e que por perseguição do governo nazista encerrou suas atividades em 1933. Após trabalhar durante algum tempo em escritórios Robert Brownjohn retorna ao instituto na função de professor.

Em meados da década de cinquenta muda-se para Nova Iorque com intuito de retomar a carreira profissional passando realizar trabalhos freelancers para clientes como a Columbia Records, uma das mais antigas gravadoras dos Estados Unidos fundada no ano de 1888, fã incondicional do gênero jazz termina fazendo amizade com pessoas ligadas a essa vertente musical como Miles Davis (considerado um dos maiores jazzistas de todos os tempos) e Charlie Parker. Nesse período Brownjohn torna-se viciado em heroína, agravante para a prematura morte aos 44 anos.

No cinema foi responsável pelos títulos (também conhecido como créditos iniciais) de dois dos filmes da série de espionagem James Bond estrelada por Sean Connery, Moscou Contra 007 (From Russia whith Love), a mais significativa utilizando visualização de tipografias nos corpos das modelos presentes na abertura fazendo referência aos trabalhos cinematográficos de Moholy-Nagy no período construtivista na década de 20, e 007 Contra Goldfinger (Goldfinger), onde também desenhou os pôsteres, a comédia satírica britânica Where the Spies Are (sem tradução nacional) e A Noite dos Generais (The Night of the Generals) do diretor russo Anatole Litvak.



Robert Brownjohn indiscutivelmente revolucionou o cenário das mídias visuais por suas ideias de contexto simples, mas às vezes polêmicas como deixar a mostra um par de seios nus num cartaz para exposição do artista londrino Robert Fraser reafirmando seus princípios audaciosos e de contraste. Na função de tipógrafo foi igualmente brilhante projetando através de elementos em desuso a exemplo de caixotes de madeira, tijolos, colagens transferindo essas composições para seus projetos gráficos enquanto experimento.

A valorização de objetos presentes no cotidiano em suas obras assim como outras características partiu da convivência com László Moholy-Nagy, morto em 1946 por complicações provocadas pela leucemia, que além de mentor foi também uma das suas maiores inspirações pessoais. O objetivo adquirido no decorrer acadêmico apresentado na transformação de não mais recriar o clássico artesão entre artista e artesão, entretanto, adequá-lo à nova era industrial como meta de ensino do Instituto de Design elaborada por Moholy-Nagy.

Os ensinamentos da ampla filosofia aprendida no decorrer da formação profissional que rompiam a barreira presente no universo do design entre elas a interralação da arte com a vida, conhecimento transferido pelos métodos de Moholy-Nagy no qual a tarefa dava em educar o homem da época como agente integrador, o novo designer capaz de avaliar as necessidades humanas distorcidas pela civilização das máquinas, segundo o professor húngaro já que a tecnologia tinha tornado tão parte da existência quanto o metabolismo.

Entre trabalhos de destaque está a decoração de natal da Pepsi-Cola para a sede da empresa projetada pela Skidmore, Owings & Merrill ou simplesmente SOM, até hoje uma das maiores organizações no seguimento de arquitetura nos Estados Unidos especializada na construção de edifícios comerciais, e contribuindo para o pavilhão americano na Feira Mundial de Bruxelas em 1958, Expo 58, inspirado pelo vernáculo gráfico marcantes das ruas de Nova Iorque preenchendo parte do pavilhão com uma paisagem urbana tridimensional.

Dentre seus projetos experimentais talvez o de maior expressão seja o livreto Watching Words Move em que as palavras foram redesenhadas para sugerir conotação gráfica aos termos literais que estas representavam como os mostrados na imagem logo acima. Para Robert Brownjohn, apelidado de BJ, a crença que as palavras carregavam sentido emocional da mesma maneira que seu significado literal foi base para trabalhos publicitários desenvolvidos por ele focando na ideia da tipografia ter o mesmo peso da imagem.

Outro aspecto levantado por Brownjohn se deu na ênfase sexual presente nas suas composições da mesma maneira que o uso de formas femininas, entre elas uma série de meias náilons, os títulos dos filmes da série 007 na qual trabalhou, o cartaz da exposição Obsession and Fantasy. Os primeiros três projetos contaram com altos orçamentos levando uma exploração mais a fundo de suas teorias praticas de tipografia e silhuetas de mulheres enquanto o quarto apresentou baixa quantia comparado aos demais ganhando status de criação doméstica.

A mudança dos Estados Unidos para Inglaterra, local de origem de seus pais, em meados dos anos sessenta contribuiu ao ápice de sua carreira difundindo conceitos adquiridos em anos de trabalho tanto em projetos freelancers quanto de agências passando também pelo editorial da revista Rolling Stone. No metrô de Londres teve painéis expondo suas obras para aquela época inovadoras tornando uma das figuras no meio publicitário de maior prestígio produzindo bem mais material do que muitos com o dobro de tempo no mercado e renome.

Pouco antes de completar 45 anos Brownjohn morre devido um ataque cardíaco agravado pelas drogas (principalmente heroína), estilo de vida extravagante, desregrada e boemia, completando anterior a prematura morte, 1 de agosto de 1970, sua última peça gráfica, um cartaz com a temática de paz contendendo um Ás de Espadas entre letras rabiscadas P e E, e um ponto de interrogação sobre fundo branco além de realizar uma pequena ponta no filme de comédia britânica Otely, Herói sem Vocação (Otely) dirigida pelo cineasta Dick Clement.


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