segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Mensagem de fim de ano



Aos amigos que acompanham o espaço.

Durante esses últimos dias, entre eles novembro e início de dezembro, tornou-se complicado manter o Desventuras Inimagináveis atualizado periodicamente devido afazeres que terminaram acumulando nesse momento entre elas obrigações com o novo trabalho no qual estou, já outros relacionados as tarefas do cotidiano incluindo a mudança de residência o que terminou também contribuindo para a presente desorganização, então para não ficar com postagens solitárias e feitas na pressa somente em janeiro volto a normalidade das publicações, mas desde agora agradeço a atenção dada para mim e ao blog.

Desejo aos leitores um ótimo fim de ano e que 2013 possa ser ainda melhor, que sonhos sejam alcançados, coisas boas sempre passem por suas vidas e que as vitórias pessoais surjam naturalmente. Para quem acredita em amor (o que não é meu caso) espero que encontrem o que almejam, se tiver que consiga manter, quem é crédulo da felicidade plena que a conquiste e gozem com as quem merece, aproveitem as oportunidades maravilhosas oferecidas pelo simples acaso e preservem sempre a família porque ela é o maior bem do ser humano.

Um bom ano para todos.


Atenciosamente,
Allan Lemos G. das Chagas.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Uma continuação descabida

Há exato um mês de estreia no circuito nacional, já sendo retirado de cartaz em alguns casos, mas permanecendo em outros a continuação Busca Implacável 2 trás de volta Liam Neeson no papel do ex-agente secreto e agora segurança particular de celebridades Bryan Mills que terá de resgatar dessa vez a ex-esposa das mãos de antigos inimigos ainda referente ao sequestro da sua única filha em Paris anos atrás.

Em 2008 quando a primeira parte de Busca Implacável estreou nos cinemas nem mesmo o mais otimista dos produtores esperava que a produção orçamentada em 25 milhões de dólares, quantia mediana para os padrões do seguimento, fosse arrecadar exorbitantes 226 milhões mundo à fora, entretanto, apesar do bom retorno não era aguardado sequências por ser uma trama devidamente fechada até que foi anunciada a continuação para este ano.

Repetindo os mesmos elementos presentes no anterior a nova produção de Luc Besson sob direção de Olivier Megaton (Hitman) torna-se pouco atraente em todos os quesitos dos quais propõe explorar desde um roteiro clichê beirando o obvio de ser imaginado até as cenas de ação que apesar de boas performances são pouco criativas, desacerbadas e de solução simples na maioria das vezes mostrando o quanto a ideia de fazer remake da própria sequência segue forte.


MAIS UMA VEZ IMPLACÁVEL

Na primeira aparição de Bryan Mills sua filha era raptada em plenas férias de verão enquanto se preparava para conhecer a cidade luz, Paris, juntamente com outra amiga terminando sendo alvo de criminosos especializados na venda de jovens mulheres como escravas sexuais.

Em meio um relacionamento conturbado com a ex-mulher segue para França e causa grandes estragos a cidade e aos bandidos, com alguns mortos de formas no mínimo brutais e sempre prezando pela agilidade devido o curto período de tempo para resgatar a filha antes de perder seu rastro definitivamente.

O desenvolvimento da segunda parte tem como proposta a vingança de parentes de vários dos sequestradores assassinados por Mills e que irão caçá-lo além do resto da família durante a estadia na Turquia, entretanto, sem terem conhecimento quanto o ex-agente do governo americano pode ser mortal quando ameaçado.


sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Tão atual quanto há 146 anos atrás


Foi necessário quase um ano e meio entre idas e vindas para concluir a leitura desse livro escrito por Fiodor Dostoiévski, um dos romancistas russos mais influentes do Século XIX, e que talvez em Crime e Castigo tenha realizado sua melhor obra, ao menos uma das mais conhecidas do autor. Em resumo não dá para descrever tamanha complexidade presente na trama, não é uma leitura de fácil compreensão, fazendo muitas vezes preciso reler o mesmo capítulo.

A história se passa em São Petersburgo narrando as dificuldades vividas pelo ex-estudante de direito Raskólnikov, um rapaz pobre, megalomaníaco e que vive num pequeno quarto alugado em condições de miséria passando boa parte do tempo por grandes necessidades entre elas o abandono da vida acadêmica por não possuir condições, mas almeja realizar algo grandioso (segundo o próprio personagem ele é uma pessoa de potencial) e que termina assassinando uma velha agiota, Alena Ivanovna, uma senhora de saúde debilitada conhecida pela maldade em tratar as pessoas e a irmã dela, Lizavéta, para quem devia dinheiro por penhorar o relógio dado pelo pai já falecido, entretanto, a razão do homicídio não é levado pela dívida e sim a ideia de matar, sendo em sua teoria justificável.

O medo de ser pego pelo crime, desprezando o sentimento de culpa, passa atormentar o personagem principal levando de certa forma ao enlouquecimento e os castigos decorrentes tal ato criminoso vindo lentamente através de seus medos e receios que vai deixando cada vez mais sufocado pelo segredo tenebroso fazendo que desfaça de alguns itens surrupiados durante a noite dos assassinatos escondendo debaixo de uma pedra num lugar abandonado. Pessoa de poucos amigos Raskólnikov convive mais consigo mesmo do que com qualquer outro indivíduo e talvez devido a isso sofra descabidamente não apenas pelo crime, mas relacionado as dificuldades da vida das quais está fadado como por exemplo alimentar-se somente quando alguma comida é levada para o quarto no qual mora suspenso pela falta de pagamento.

A solidão da figura central é notável da mesma maneira como sua inspiração pelo imperador francês Napoleão Bonaparte e a construção da sua linha de raciocino onde defina a existência de apenas dois tipos de seres humanos: ordinários e extraordinários. No primeiro grupo as pessoas basicamente não podem realizar grandes feitos estando condenadas uma vida de submissão enquanto o segundo em contrapartida tem o direto de concretizarem suas ideias mesmo que para isso tenham de quebrar regras e leis por serem superiores aos demais, nesse aspecto busca enquadrar os assassinatos da velha senhora e de sua irmã que faltamente adentra no momento do crime cometido por Raskólnikov morrendo devido o fato de testemunhar a brutal morte da irmã com um machado que também é usado para assassinar Lizavéta.

A maneira como o decorrer da trama é apresentada humanizando as ações do jovem flagelado que durante boa parte do livro vive em febre e tendo alucinações por causa das precárias condições sub-humanas em se encontra racionaliza para o ensaio de suas ações deturpadas dando certo entendimento não só ao crime, mas a personalidade moldada através da depressão e miséria de não poder conseguir mudar seus padrões apesar de almejar tal feito. Crime e Castigo faz jus a condição de ser um dos grandes livros de todos os tempos mesmo possuindo uma leitura para poucos.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Robert Brownjohn, tipografia como conceito

Aos que se quer nunca ouviram falar em Robert Brownjohn, até sendo possível já inexistência de artigos sobre o mesmo na língua portuguesa, foi talvez um dos designers gráficos mais bem conceituados durante os anos sessenta e até hoje continua ter representatividade devido seu modelo de concepção gráfica na qual misturava elementos tipográficos com conceitos atribuídos a imagem contribuindo dessa forma para a ideia que tipografia, no popular fonte, poderia ir além do que ser um auxiliador visual, mas, o próprio significado.

Nascido em Nova Jersey, 8 de agosto de 1925, Brownjohn desde muito jovem demonstrava possuir aptidão as artes gráficas indo estudar no Instituto de Design, em Chicago, outrora conhecida como New Bauhaus fundada pelo também designer László Moholy-Nagy por tentar dar prosseguimento ao desenvolvimento conceitual da Escola de Bauhaus originada na Alemanha e que por perseguição do governo nazista encerrou suas atividades em 1933. Após trabalhar durante algum tempo em escritórios Robert Brownjohn retorna ao instituto na função de professor.

Em meados da década de cinquenta muda-se para Nova Iorque com intuito de retomar a carreira profissional passando realizar trabalhos freelancers para clientes como a Columbia Records, uma das mais antigas gravadoras dos Estados Unidos fundada no ano de 1888, fã incondicional do gênero jazz termina fazendo amizade com pessoas ligadas a essa vertente musical como Miles Davis (considerado um dos maiores jazzistas de todos os tempos) e Charlie Parker. Nesse período Brownjohn torna-se viciado em heroína, agravante para a prematura morte aos 44 anos.

No cinema foi responsável pelos títulos (também conhecido como créditos iniciais) de dois dos filmes da série de espionagem James Bond estrelada por Sean Connery, Moscou Contra 007 (From Russia whith Love), a mais significativa utilizando visualização de tipografias nos corpos das modelos presentes na abertura fazendo referência aos trabalhos cinematográficos de Moholy-Nagy no período construtivista na década de 20, e 007 Contra Goldfinger (Goldfinger), onde também desenhou os pôsteres, a comédia satírica britânica Where the Spies Are (sem tradução nacional) e A Noite dos Generais (The Night of the Generals) do diretor russo Anatole Litvak.



Robert Brownjohn indiscutivelmente revolucionou o cenário das mídias visuais por suas ideias de contexto simples, mas às vezes polêmicas como deixar a mostra um par de seios nus num cartaz para exposição do artista londrino Robert Fraser reafirmando seus princípios audaciosos e de contraste. Na função de tipógrafo foi igualmente brilhante projetando através de elementos em desuso a exemplo de caixotes de madeira, tijolos, colagens transferindo essas composições para seus projetos gráficos enquanto experimento.

A valorização de objetos presentes no cotidiano em suas obras assim como outras características partiu da convivência com László Moholy-Nagy, morto em 1946 por complicações provocadas pela leucemia, que além de mentor foi também uma das suas maiores inspirações pessoais. O objetivo adquirido no decorrer acadêmico apresentado na transformação de não mais recriar o clássico artesão entre artista e artesão, entretanto, adequá-lo à nova era industrial como meta de ensino do Instituto de Design elaborada por Moholy-Nagy.

Os ensinamentos da ampla filosofia aprendida no decorrer da formação profissional que rompiam a barreira presente no universo do design entre elas a interralação da arte com a vida, conhecimento transferido pelos métodos de Moholy-Nagy no qual a tarefa dava em educar o homem da época como agente integrador, o novo designer capaz de avaliar as necessidades humanas distorcidas pela civilização das máquinas, segundo o professor húngaro já que a tecnologia tinha tornado tão parte da existência quanto o metabolismo.

Entre trabalhos de destaque está a decoração de natal da Pepsi-Cola para a sede da empresa projetada pela Skidmore, Owings & Merrill ou simplesmente SOM, até hoje uma das maiores organizações no seguimento de arquitetura nos Estados Unidos especializada na construção de edifícios comerciais, e contribuindo para o pavilhão americano na Feira Mundial de Bruxelas em 1958, Expo 58, inspirado pelo vernáculo gráfico marcantes das ruas de Nova Iorque preenchendo parte do pavilhão com uma paisagem urbana tridimensional.

Dentre seus projetos experimentais talvez o de maior expressão seja o livreto Watching Words Move em que as palavras foram redesenhadas para sugerir conotação gráfica aos termos literais que estas representavam como os mostrados na imagem logo acima. Para Robert Brownjohn, apelidado de BJ, a crença que as palavras carregavam sentido emocional da mesma maneira que seu significado literal foi base para trabalhos publicitários desenvolvidos por ele focando na ideia da tipografia ter o mesmo peso da imagem.

Outro aspecto levantado por Brownjohn se deu na ênfase sexual presente nas suas composições da mesma maneira que o uso de formas femininas, entre elas uma série de meias náilons, os títulos dos filmes da série 007 na qual trabalhou, o cartaz da exposição Obsession and Fantasy. Os primeiros três projetos contaram com altos orçamentos levando uma exploração mais a fundo de suas teorias praticas de tipografia e silhuetas de mulheres enquanto o quarto apresentou baixa quantia comparado aos demais ganhando status de criação doméstica.

A mudança dos Estados Unidos para Inglaterra, local de origem de seus pais, em meados dos anos sessenta contribuiu ao ápice de sua carreira difundindo conceitos adquiridos em anos de trabalho tanto em projetos freelancers quanto de agências passando também pelo editorial da revista Rolling Stone. No metrô de Londres teve painéis expondo suas obras para aquela época inovadoras tornando uma das figuras no meio publicitário de maior prestígio produzindo bem mais material do que muitos com o dobro de tempo no mercado e renome.

Pouco antes de completar 45 anos Brownjohn morre devido um ataque cardíaco agravado pelas drogas (principalmente heroína), estilo de vida extravagante, desregrada e boemia, completando anterior a prematura morte, 1 de agosto de 1970, sua última peça gráfica, um cartaz com a temática de paz contendendo um Ás de Espadas entre letras rabiscadas P e E, e um ponto de interrogação sobre fundo branco além de realizar uma pequena ponta no filme de comédia britânica Otely, Herói sem Vocação (Otely) dirigida pelo cineasta Dick Clement.


quinta-feira, 18 de outubro de 2012

A educação que não é aprendida em casa

Algum tempo atrás no próprio blog escrevi outro texto sobre a temática abordada na postagem de hoje, mas devido a perda do material antigo na transição do sistema Blogger para Google+ resolvi novamente redigir algo referente ao assunto a ser tratado: a falta de educação das pessoas para com as outras em ambientes sejam eles públicos ou não no qual convivem e até consigo mesmo mostrando muitas vezes imaturidade da consciência perante o meio social.

No decorrer dessa semana certos fatos que presenciei, acumulados a passagens anteriores, me fizeram parar e pensar o quanto as pessoas no geral estão ficando cada vez mais mal-educadas, sujas no sentido de não respeitar a limpeza do local onde se encontram e ainda por cima donas da verdade beirando a insensatez da ignorância. Em muitos dos casos é dado a resposta que a vida corrida passa ser responsável pela falta de cuidados com aquilo que está à nossa volta enquanto na verdade não é.

Durante o último final de semana e o desenvolver dos demais dias tendo como ponto de partida no domingo enquanto fui ao principal shopping do centro da cidade, lugar que normalmente evito ir por ser vizinho de outro mais confortável, entretanto, sem o filme que gostaria de assistir em cartaz e devido a isso terminei deslocando para esse, Shopping Boa Vista, um ambiente incoerente com o status do lugar, lixo espalhado dentro do estabelecimento, falta de organização nas bilheterias do cinema onde pessoas empurravam e furavam fila na maior despreocupação e etc.

Quando alguém se propõe pagar para ver um filme no cinema deve ao menos entender que assim como ele outros também farão exatamente a mesma coisa e a melhor atitude é saber respeitar o próximo evitando mal estar desnecessários a exemplo, furar filas, ocupar assento não pertencente naquele momento e por incrível que pareça evitar conversas paralelas dentro da sala de exibição culminando às vezes até com gritos de pura amostração pública. É extremamente desconfortável presenciar tamanha desconsideração pensando que atitudes infelizes desse gênero podem ter algum senso racional chegando aos seus autores ficarem chateados quando chamados atenção.

A minha última vez no cinema do Shopping Boa Vista não foi as das melhores porque além de encontrar uma praça sucateada com preços incompatíveis ao serviço oferecido deparei com o problema que era pra ser resolvido em casa, educação ou melhor a ausência dela. Receber um empurrão de alguém desesperado para furtar seu lugar nunca é agradável assim como em plena sessão cantarem parabéns com direito a fotos, torta e vela estrelinha mostra a necessidade de querer aparecer e pior ver a direção responsável pelo local não tomar alguma providência.

Chega ser vexatório acompanhar tais fatos no qual a inexistência de cordialidade impera sobre aqueles que tentam manter uma programação tranquila durante o final de semana, mas como também pode e acontece em via de regra nos demais dias, levando muitas vezes que deixemos de fazer algo do nosso agrado devido inconveniência provocada por aqueles sem alguma noção comportamental de estar na presença de outras pessoas onde seja lá as razão pensam que posturas torpes de mau gosto os beneficiam.

Parece que quanto mais progredimos socialmente em contrapartida retroagimos nos quesitos básicos, exemplo, não falar alto, se comportar perante outras pessoas, não jogar lixo no chão, valores esses que aprendemos na intimidade familiar dada pelos nossos pais ou responsáveis mostrando que se hoje temos uma sociedade até certo ponto ignorante parte desse problema deve a incapacidade da criação dos filhos.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Quando é o futuro que assombra o passado

Em cartaz a pouco mais de duas semanas a produção norte-americana apresenta uma implacável perseguição atemporal entre o agora ator sensação Joseph Gordon-Livitt e o mais do que calejado Bruce Willis num filme futurístico ambientado entre uma sociedade urbana decadente onde existe uma grande quantidade de desabrigados, diferentes graus de misérias espalhas pelas cidades, a violência presente nas pessoas que chegam atirar nas outras por motivos até certo ponto banais e um futuro ainda mais distante no qual é possível viajar no tempo.

Looper: Assassinos do Futuro trás a ideia que o melhor jeito de encobrir um assassinato é levar para onde jamais tenha acontecido, neste caso alguns anos antes, precisamente no ano de 2044 e quando as vítimas são teletransportadas para o passado estarão a sua espera assassinos conhecidos como loopers, entretanto, em determinado momento os loopers terão de assassinar suas próprias versões envelhecidas para manter o equilíbrio fechando assim o ciclo de atividades e a partir desse momento estarão livres para aproveitarem o tempo que lhes resta.

Durante o fechamento do ciclo de um dos loopers algo termina saindo errado devido ao fato que a versão envelhecida termina revelando a existência de um possível esquema para extermínio dos assassinos. Durante outro incidente Joe (Joseph Gordon-Livitt) termina sendo nocauteado pelo seu eu futuro (Bruce Willis), que retorna por vontade própria para tentar salvar a esposa, dando início uma intensa série de problemas envolvendo a chefia dos loopers e pessoas inocentes que possam ser os futuros responsáveis pela matança dos veteranos.

Enquanto Joe do presente ao poucos vai ganhando feições de "mocinho" acreditando que se matar a outra versão poderá ter sua vida retomada deparando também com uma fazendeira e o filho pequeno, já o Joe do futuro passa ser um dos antagonistas apesar sem ser essa sua real vontade, está tentando apenas assegurar a proteção da esposa mesmo que para isso tenha de matar o restante dos loopers liderados por um homem do futuro, Abe, interpretado pelo sempre excelente Jeff Daniels, que volta para organizar o grupo de mercenários, e crianças à contragosto.

Dar para definir o filme como uma exitante aventura dramática já que não se restringe somente aos tiros, mortes, sequências bem elaboradas de ação, mas o questionamento da vida em meio perdas tanto para o Joe do presente, o do futuro, a fazendeira solitária que surge no meio da tensão provocada por ambos e seu filho, apesar de muito jovem possui um grau elevado de entendimento dos assuntos que o cercam, apresentando um trabalho bem escrito e dirigido competentemente que irá satisfazer com um desfecho simples, mas de forte impacto.


O ANTI-HERÓI, HERÓI

Durante o desenvolvimento de Joe do presente é mostrado ao telespectador suas metas, exemplo, aprender falar francês e ir morar no país europeu, entretanto, para isso precisará economizar parte das suas recompensas servindo a organização secreta sendo capaz de entregar um companheiro quando esse sonho termina ameaçado.

Não dá para rotular o Joe vivido por Joseph GL como um sujeito mau apesar de ser um assassino, a projeção apresenta uma sociedade falida que não tem muitas escolhas e o personagem foi levado a esse caminho através do chefe dos Loopers da mesma maneira onde algumas mulheres tornam-se prostitutas da máfia por ser a possível saída.

A partir do momento quando depara ao tamanho do problema relacionado com seu eu futuro e as possíveis vítimas dessa versão envelhecida, entre elas a tal fazendeira e seu filho, a figura egoísta aos pouco vai dando espaço para uma pessoa mais consciente de seu papel na trama.


VILÃO, MAS SEM QUERER

Já com a estória devidamente explicada surge então a versão 30 anos mais envelhecida do protagonista aqui interpretado por Bruce Willis, contudo, completamente diferente dos planos traçados quando mais jovem e até certo ponto mais violento só que com razões para tal atitude, regressando por vontade própria para tentar manter a esposa a salva dos que fazem parte dos Loopers.

O objetivo é matar o suposto responsável pelo extermínio dos assassinos da organização mafiosa apenas conhecido por Rainmaker enquanto esse não passa de uma criança indefesa podendo assim cumprir a missão de proteger a devotada esposa, mas não exitará atirar a queima roupa em garotos cujo nem sabe se de fato são os supostos criminosos por trás da matança futura.

As cenas que o Joe do futuro está presente são poucas e quase sem diálogos refletindo somente a sua missão inglória de ter de acabar com mafiosos e crianças sem ao saber ter existo se cumprida.


A FAZENDEIRA SOLITÁRIA

Do meio para o final do filme relacionado a busca pelo pequeno Rainmaker a versão jovem de Joe termina entrando na vida de uma fazendeira, que vive somente com seu pequeno filho numa região afastada das grandes cidades como maneira de seguir a vida após uma fase complicada que levou ficar longe do filho durante alguns anos culminando dessa forma com a rejeição da criança pela mãe.

Sara, a fazendeira, demonstra ser uma mulher sofrida e sem ninguém além do próprio filho que possui uma rotina definida em apenas cuidar do garoto, os afazeres domésticos e garantir a proteção de sua plantação de cana-de-açúcar da qual retira o sustento da família.

Apesar da desconfiança ao ver o Joe do presente em suas terras e de temer ser uma pessoa má que possa fazer algum mal a mulher um tanto rustica passa a abrigá-lo por ter conhecimento de se tratar de um looper e do perigo que seu filho possa estar passando pela busca da versão envelhecida.


Mesmo contanto com um contexto de difícil entendimento abrindo a possibilidade da realizações de viagens atemporais, comum em muitos dos filmes do gênero ficção-científica, a produção escrita e roteirizada pelo cineasta Rian Johnson (A Ponta de um Crime, Vigaristas) não procura explorar aspectos envolvendo paradoxo temporal, os mecanismos que levam ao funcionamento da máquina ou as prováveis consequências de alterar o tempo presente e futuro.

As mudanças de ações, conceitos e personalidade durante o decorrer do anos podendo ser mais uma vez modificadas devido o encontro de uma pessoa em diferentes momentos da vida e a influência que podem causar em ambos, como acontece com um determinado personagem do filme ainda antes dos problemas principais, e a maneira de agir diante dessa situação no qual precisa estar preparado para sem ter muitas razões plausíveis executar a si mesmo.

Quando Joe presencia esse dilema de estar à frente de si 30 anos mais velho deparando com um homem as avessas do que era pretendido para seus planos futuros começa perceber que apesar de sua vontade planejada termina seguindo os caminhos apresentados pelo seu chefe, Abe, que revela parte do futuro apesar da discussão de não prosseguir, mas acontecendo demonstrando a questão envolvendo o destino das pessoas estarem traçados independente vontade.

Caminhando na contramão, Joe envelhecido terá além de combater a organização em busca das respostas desejadas também precisará enfrentar sua versão passada com a desvantagem de não poder assassiná-lo ao contrario do outro já que se isso ocorresse logo deixaria de existir em ambas dimensões, na qual regressou e na de sua devida época. A suposta complexidade do enredo ganha cabimento decorrente como os resultados vão sendo alcançados.

Provido de erros e acertos, bem mais acertos do que erros, o filme mostra uma faceta se não nova, mas certo ponto esquecida no cinema de entretenimento: novidades. Sem exagero, devido tamanha extensão do conteúdo proposto poderia ter acontecido uma trilogia até para explicar certas passagens e desenvolver melhor personagens interessantes porém poucos explorados, contudo, não deixa de ter os devidos méritos.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Para os fãs, um show memorável



Aos poucos as luzes do Chevrolet Hall foram sendo abaixadas destacando a luminosidade azul e violeta presente no palco. As pessoas começavam gritar o nome da banda entrando em constante estado de frenesi ansiosas para enfim ver Amy Lee e o restante do grupo tocarem seus grandes sucessos até que gradativamente o nome Evanescence apareceu no palco juntamente com a cantora de voz tão marcante que em seus braços traziam a bandeira do Brasil e da Argentina além de uma saia com tantas outras flamulas de varias nacionalidades.

O show principal da noite após uma apresentação bastante convincente de The Used teve início em grande estilo sendo tocada na abertura What you whant levando a polvorosa multidão ao delírio momentâneo de poder ver tão perto uma das bandas mais bem conceituadas dos últimos anos em seu segmento musical. A cada canção um mar de braços levantados fazendo a reverência do tão conhecido simbolo presente nos shows de rock: dedos mindinhos, indicadores e polegares levantados que se movimentavam com os saltos dados pelas pessoas já anestesiadas.

Durante pouco mais de uma hora e meia, passados tão rapidamente, terminada ao som da belíssima My Immortal tocada por Amy Lee em seu piano concluindo dessa forma um show de proporções épicas (dentro do contexto apresentado) em meio execuções de Going under e Bring me to life, talvez os maiores sucessos da banda até hoje, que fizeram parte da trilha sonora do filme Demolidor - O Homem sem Medo (2004) e que os colocaram em evidência, presenteando um grande público que saiu mais do que satisfeito com tamanho espetáculo apresentado.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Evanescence: A estreia em palco pernambucano




Há algum tempo que a cidade do Recife, capital de Pernambuco, tornou-se escala obrigatória para os grandes shows ocorridos em território nacional no qual podemos destacar no gênero rock a recente passagem avassaladora do mito Paul McCartney no estádio do Arruda, os insuperáveis Iron Maiden em duas temporadas distintas no Jóquei Clube assim como a lendária banda alemã Scorpions que em 2007 fez sua primeira aparição na terra originária do frevo e em 2008 sua última vinda, ambos no Chevrolet Hall, Olinda, sempre dotado de um grande público.

Agora chegou a vez da banda norte-americana Evanescence liderado pela bela cantora e também pianista Amy Lee fazer sua estréia em solo pernambucano após realizarem shows nas cidades do Rio de Janeiro (6/10) e São Paulo (7/10) sendo dessa forma a primeira performance no nordeste brasileiro antes da participação do grupo no festival Ceará Music (13/10) que ainda conta com a presença de Mick Hucknall, ex-Simply Red, que já passou pelo Recife na turnê de despedida da banda britânica ocorrida em 2010.

Conhecida pelas letras que misturam em seu repertório dramaticidade, elementos da música celta e melodias obscuras fazendo desse modo um grupo pertencente ao sub-gênero conhecido como neo-metal ou ainda nu metal do qual fazem parte Korn, Limp Bizkit, Link Park, entre outros caracterizado por homogenizar estilos. Vencedora do Grammy Award 2004 nos seguimentos Artista Revelação e Melhor Performance de Hard Rock por "Bring Me to Life"; Evanescence retorna ao Brasil após Rock in Rio para divulgação do novo trabalho que leva o nome da banda.



A abertura do tão aguardado show para os fãs da região nordestina vai ficar a cargo do também grupo americano The Used, que acumula 11 anos de carreira, e apesar de ter relativamente pouca repercussão no Brasil possui algum destaque internacional apresentando canções frenéticas e de batida forte tendo durante certo tempo a companhia de My Chemical Romance em seus espetáculos, mas em 2005 interrompendo tal parceira por motivos não relevados, seguindo desde então em turnês menores passando entre elas pelo Brasil numa dessas oportunidades.

Formada inicialmente em 1995 a banda da cidade de Little Rock, Arkansas, lançou apenas seu primeiro álbum oficial no ano de 2003 intitulado Fallen e desde então virou um dos ícones da nova geração do rock contemporâneo participando de trilhas sonoras para produções cinematográficas como Demolidor - O Homem sem Medo (2003), Elektra (2005) e da presença de Amy Lee junto com a banda sul-africana Seether numa das músicas do filme O Justiceiro (2004). Após uma fase de reformulação o Evanescence lançou ano passado seu mais novo projeto.

Com a vinda da banda para Pernambuco, Recife cada vez confirma que definitivamente entrou no circuito dos grandes espetáculos onde já passaram pelos palcos do estado pernambucano Abba, A-ha, Alanis Morissete, Amy Winehouse, Backstreet Boys, Black Eyed Peace, Fatboy Slim, Jennifer Lopez, Motorhead, Offspring, Pitbull entre tantos outros de grande prestígio internacional reforçando a ideia que shows de grandes realizações podem também ser viáveis em diferentes praças além das tradicionais Rio de Janeiro e São Paulo.


terça-feira, 9 de outubro de 2012

Diários do alquimista da contracultura


Falar de Andy Warhol é ter a certeza de explorar uma mente que desconstruiu as artes gráficas em sua essência apesar da controvérsia presente em algumas obras. Designer de formação, crítico por vocação que não deixava o mínimo detalhe passar desapercebido e rigorosamente provido de comentários afiados, assim era ele, um homem que mesmo após morrer continuou a provocar o mundo artístico através das observações peculiares apresentadas na forma de diário originalmente publicado pela Warner Books.

Diários de Andry Warhol não chega ser considerado um livro biográfico e não trás informações de caráter pessoal sobre a pessoa título, na verdade é a compilação de passagens de suas vivências realizadas dia-a-dia: o que tinha feito, quem teria encontrado e sua percepção sobre determinado assunto. Personalidades como Mick Jagger, Pelé, Martin Scorcese, Jim Morrison são temas de algumas ponderações do Rei do Pop (sem relação ao título de Michael Jackson) apresentado por uma ótica mais humana, mesmo que para isso fosse ácido nas conotações.

O projeto foi desenvolvido entre os anos de 1976 a 1987 (data de seu falecimento) em parceria com a escritora e também artista Pat Hackett onde manteve contato diariamente ao telefone e narrava acontecimentos do dia anterior, quase sempre relacionado a vida cultural novaiorquina, apresentações em jantares, eventos sociais, mostras de arte, shows ou qualquer situação que contasse com sua presença. Tantas participações renderam quase 800 páginas transformadas inicialmente num único volume, mas agora dividida em dois.

No Brasil a primeira publicação do livro se deu em 1989 pela editora L&PM e mais de vinte anos depois retornou em versão de bolso e no formato tradicional confirmando que apesar dos quase trinta de morte de Andy Warhol sua análise crítica continua tão atual desde sua época e presente como nunca reafirmando a tese, dita pelo próprio, de que no futuro todos terão os quinze minutos de fama. As passagens descritas apresentam o retrato vanguardista do último ápice da cultura moderna do século XX em meio pomposidades da sociedade verdadeiramente pop.

Ler Diários de Andy Warhol é ter conhecimento real, ao menos no ponto de vista do autor, das celebridades daquele momento despidas do marketing, publicidade e mitos em torno delas, é um contanto direto e sem rodeios apresentados através uma linguagem simples no qual contém informações irrelevantes para alguns e complementares para outros. É ver comportamentos num ambiente recatado e paralelamente profano composta de pequenas particularidades vivenciadas por alguém que tinha o que realmente transmitir.
















A FIGURA WARHOL

Considerado por muitos à frente do seu tempo Andy Warhol esteve presente em alguns dos mais importantes movimentos ligados a arte já no quase final do Século XX, tendo no pop art como um das suas maiores contribuições no meio cultural sendo apresentado numa grande variedade de mídias: conceito gráfico, audiovisual e literário.

Famoso pelo temperamento controverso e ácido, mas de uma compreensão artística vista como em poucos criou de certo modo trabalhos de contexto simples, entretanto, de conteúdo complexo revelando entre outras coisas que figuras públicas eram resultados vazios de uma indústria fútil e sem relevância aparente.

No design passou por revistas conceituadas como Vogue e Harper's Bazaar já na área envolvendo produto refletindo representações artísticas ou vice-versa, talvez a série das latas Campbell seja sua obra mais conhecida e de maior impacto dividindo opiniões sobre a significância mostrada. 

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

As animações adultas do mundo Nick




A década de 1990 e início dos anos 2000 para muito foi considerado o final de um período que se não chegou ser a segunda era de ouro da animação ao menos apresentou temas mais profundos em produções cartoons voltadas para público infanto-juvenil. Alguns amenos explorando o universo da pré-adolescência em suas mudanças, às vezes apresentando tons dramáticos nos episódios, como Doug (1991-1994 e 1996-1999) e Hey Arnold! (1996-2004) produzidos pela Nickelodeon enquanto outros ficaram marcados por polêmicas, censuras e até banimento.

Desenhos a exemplo de A vida moderna de Rocko (1993-1996) traziam temas mais ligados ao mundo adulto envolvendo o cotidiano no qual retratavam problemas desde relacionamentos às críticas sociais em situações cômicas já outros exploravam o humor escrachado em momentos absurdos apelando para a insanidade dos que participavam daqueles shows como os mostrados em Ren & Stinky (1991-1995 e 2004) e Invasor Zim (2001) que se aventurava numa ambientação sombria beirando ao gênero terror da ficção cientifica.

Cultuados por muitos, mas também repudiados por tantos da mesma maneira esse tipo de nicktoons (denominação para as produções animadas de autoria da Nickelodeon) deixaram de ter continuidade não apenas em suas temporadas, contudo, como seguimento dando espaço para desenhos de conotação mais branda a exemplo de Os padrinhos mágicos (1998-presente) e do próprio Bob Esponja (1999-presente) que apesar da leveza voltado a divertir pela simplicidade guardam alguns poucos desse resquício de humor ácido.

Sem dúvida alguma Ren & Stinky além de ser um dos primeiros nicktoons produzidos é disparado o desenho mais problemático criado até hoje pelos estúdios da Nickelodeon. Dotado de um humor extremamente corrosivo como poucas vezes mostrado numa animação direcionada para o público infantil o programa girava em torno de Ren, um cão chihuahua estressado, que morava com Stinky, um gato de personalidade meiga, e passa a descontar no amigo a frustração decorrente situações nas quais terminam envolvidos quase sempre ocasionados pelas trapalhadas do gato.

Considerado clássico cult da animação adulta, apesar de não ter sido essa a proposta inicial, as aventuras vividas pelos personagens fazem pesadas críticas sociais através de uma ambientação que lembra as mostradas em Tom and Jerry e Pica-Pau da fase cinquentista, entretanto, beirando a insanidade de alguns que participam do show grosseiramente divertido. Circunstâncias repletas de excrementos, torturas e até insinuações sexuais são base para piadas aparentemente fora do contexto e de forte repulsão direcionado a poucos.

Os episódios procuravam mesclar elementos comuns da comédia pastelão onde os protagonistas buscavam aprontar alguma traquinagem, mas terminava com uma série excessiva de escatologia humorística chegando ser considerado subversivo aos valores morais e do aceitável sendo dessa forma impróprio para crianças já que fora o forte teor ácido Ren apresentava características de ser supostamente esquizofrênico enquanto Stinky, devido sua inocência, era alvo da fúria do cãozinho de personalidade deturpada, dúbia e pouco cativante.

Após o cancelamento em 1995, por sinal durou muito mais tempo do que esperado devido tantas polêmicas, a criação do cartunista canadense John Kricfalusi, que concebeu Ren & Stinky no final dos anos 80, contudo, devido implicações internas da Nickelodeon estreou apenas durante início da década de 1990, o estúdio baniu a produção da sua programação devido à acidez exacerbada retomando as transmissões há poucos anos nas madrugadas dos fins de semana no bloco Nick@nite que normalmente passa produções já extintas.


ADULT PARTY CARTOON

Em 2004 numa parceria com o canal pago Spike Ren & Stinky ganharam uma temporada extra direcionada exclusivamente ao público adulto intitulada Adult Party Cartoon contendo nessa fase nove episódios sendo alguns antes nunca exibidos pela Nickelodeon, outros tornando explícito algumas passagens de cena e a recuperação de cortes indesejados.

Ver garotas corpulentas nuas em situações que se não diretas, mas remetessem ao ato sexual a exemplo da felação e sodomização representadas por relações implícitas como da mesma maneira em notar diversas ereções do protagonista canino deparado esses momentos tornou-se normal.

A transformação psicótica de Ren nessa versão, virando literalmente um demônio, culmina com a revelação perturbadora de que no passado, quando criança, ele torturava pequenos animais enquanto seu pai, um padre pervertido, não dava atenção as atitudes do filho.



Rocko é um marsupial urbano que vive com Spunky, seu cão de estimação, numa cidade fictícia americana. Tímido, responsável e pacato trabalha numa loja de quadrinhos procurando levar uma vida normal, mas devido seus conhecidos excêntricos, entre eles Vacão, seu melhor amigo, termina envolvido em situações constrangedoras contrariando a deseja tranquilidade e por isso acaba terminando o dia quase sempre esgotado por ser usado pelos os que convivem com ele abusando da sua boa vontade.

A premissa adulta apresentada em A moderna vida de Rocko terminou chamando atenção mais de pessoas já com algum certo desenvolvimento do que das crianças e foi considerado uma das primeiras versões de sitcoms animadas. Comentários envolvendo criticas sociais & políticas, casos abordando amor, adultério, trabalho, a vida cotidiana em si através de piadas, algumas de duplo sentido e conotação sexual leve, fez de Rocko um dos personagens mais bem aceito pela Nickelodeon mesmo tendo algumas polêmicas em torno de seus episódios.

Criado pelo designer californiano Joe Murray que durante certo tempo desenvolveu vinhetas para MTV nos anos 80, entre elas uma contando com a presença de Vacão, futuro integrante da série, e tendo participação no projeto, Stephen Hillenburg, responsável pela concepção anos mais tarde de Bob Esponja. A moderna vida de Rocko trazia personagens simbólicos como Felizberto, uma tartaruga que lembrava o cineasta Woody Allen com seus óculos, falas e manias; e a família de Vacão ser composta por lobos mostrando que ele era o único diferente dali.

O clico do sempre simpático marsupial chegou ao fim na televisão em 1996, ficando no ar durante três anos, tendo tido quatro temporadas e somando no total 52 episódios dentre alguns cujo foram substituídos nas transmissões originais por causa do conteúdo de suas estórias desenvolvendo passagens adultas demais para crianças. Após cancelamento o programa continuou ser um dos mais lembrados pelos fãs fazendo que fosse lançado ano passado a primeira coletânea em DVD nos Estados Unidos, mas ainda indisponível no Brasil.


ROCKO NOS QUADRINHOS

Como também aconteceu com Ren & Stinky que passaram a ter publicações periódicas de suas aventuras torpes em quadrinhos produzidas pela Marvel o mesmo destino teve A moderna vida de Rocko, cujo objetivo inicial era justamente para ser uma história em quadrinhos ao invés de uma série animada, sendo desenvolvida paralelamente ao programa da televisão.

A trajetória pela arte sequencial foi rápida, teve apenas sete publicações no ano de 1994, mostrando quanto era conturbada a vida de Rocko na sociedade daquela época na cidade de O-Town em meio confusões provocadas por seus amigos, similar ao que já era apresentado da mesma maneira no desenho animado.

Sendo publicado uma única vez a cada mês, de junho à dezembro, as histórias em quadrinhos com ar nostálgico dos anos 80, principalmente pelo grafismo e cores, nunca chegaram serem lançadas no Brasil.



Talvez Invasor Zim tenha sido o nicktoon mais injustiçado pelos estúdios da Nickelodeon tendo sido cancelado prematuramente no meio da segunda temporada. Com uma trama elaborada a partir de uma suposta invasão alienígena ao planeta Terra no qual teria o extraterrestre Zim como espião para consolidar o ataque juntamente com Gir, um robozinho defeituoso, que passa ficar acostumado com elementos terrestres, exemplos, esquilos, waffles e um porquinho de pelúcia além de se fantasiar de cachorro verde para interagir em meio aos humanos.

As tentativas de dominação de Zim acontecem num futuro sombrio, um tanto decadente, onde as pessoas passam a não importar com o que acontece em sua volta chegando a serem paranóicas e egoístas, entretanto, Dib, um garoto que conhece a verdade por traz de Zim, passa combatê-lo de todas as formas para garantir a vitória da raça humana sobre os alienígenas invasores na guerra travada apenas pelos dois sejam ocorridas na vizinhança de suas casas (eles são vizinhos) ou na escola chamada simplesmente de Skool.

Bastante elogiada a série apresentava elementos da cultura pop em evidência na composição dos episódios fazendo analogias à filmes como Alien - O oitavo passageiro, celebridades a exemplo de Arnold Schwarzenegger na produção Predador, aos programas de televisão cujo objetivo é solucionar mistérios sobrenaturais, mas, também apresentava criticas relacionadas a sociedade e política exemplificada num incidente no qual a eleição da Skool para eleger o novo representante dos alunos os candidatos eram selecionados por máquinas pelo baixo nível intelectual.

Criado pelo cartunista Jhonen Vasquez, conhecido por quadrinhos alternativos da Slave Labor Graphics, a exemplo do sombrio Johnny the homicidal maniac, Invasor Zim foi visto como uma animação gótica de uso excessivo do humor negro e da violência terminando sendo tirada do ar sem maiores explicações deixando incompleto ainda alguns desenhos inacabados e o projeto do longa-metragem que concluiria a série intitulado Invader Dib que seria o garoto humano atacando o planeta natal de Zim numa inversão de papéis.


INVASOR ZIM, O JOGO

Devido o cancelamento do desenho animado, antes do previsto para encerramento, e da boa aceitação dos personagens entre o público jovem, sem necessariamente serem crianças, Invasor Zim ganhou versões para videogames entre eles PS3, Wii e XBox 360 da aventura interplanetária envolvendo Zim, Gir e Dib.

Mesmo há mais de dez anos sem novas temporadas Invasor Zim continua sendo um dos cartoons mais populares da Nickelodeon o que de certa forma justifica o desenvolvimento do personagem em outras mídias como jogos e sovineis como pelúcia, mouse pad, camiseta e chapéus continuam a ser produzidos por subsidiárias do estúdio.

Apesar de nunca ter sido descartada oficialmente a conclusão dos episódios inacabados da segunda temporada para as vendas de dvds, um dos mais vendidos da Nickelondeon, é provável que cheguem serem lançados numa coleção futura.


Ainda há outros nicktoons que podem ser considerados voltados ao público mais amadurecido entre eles Ginger (2000-2009), que narra o cotidiano de uma garota no primeiro grau escolar preocupada com problemas relacionados ao mundo adolescente como valor das amizades, popularidade e romances; Os castores pirados (1997-2001), uma versão mais leve de Ren & Stinky e de humor mais refindado comparado aos antecessores e mesmo assim contendo algumas polêmicas; e Catdog (1998-2001) talvez o mais fraco dos apresentados.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Não basta julgar, tem de ser o carrasco

Reboot de O Juiz (1995), estrelado por Sylvesyter Stallone, o filme chega ser mais violento até sendo exageradamente chamado de "impróprio para humanos" como dito na Folha de São Paulo, a violência não chega para tanto, narrando o dia-a-dia de patrulheiros conhecidos como juízes que além de terem a dura missão de capturarem marginais precisam também julgar, condenar e aplicar as punições durante o transcorrer das ações e quando necessário sentenciar à morte.

Não se pode esperar muita coisa fora sequências repletas de adrenalina, mas essa é a proposta: entreter através da sanguinolência, sem precisar elaborar um roteiro complexo, aprofundamento das personagens ou buscar provocar algum laço afetivo seja por simpatia espontânea ou trajetória apesar de que aqui não existe uma variedade abundante de figuras tirando os centrais os demais são similares desempenhando a função de vítima ou bandidos, às vez ambos.

A trama gira num futuro devastado onde quase inexiste lei, as pessoas passam residir em edifícios cada vezes maiores, fortificados e sujos dominados por facções criminosas. Em um dia de trabalho como outro qualquer o experiente juiz Dredd (Karl Urban) termina sendo incumbido de avaliar a aspirante Cassandra Anderson, que possui poderes psíquicos, mas acabam emboscados enquanto realizavam a prisão de um traficante no qual precisarão aniquilar todos que se colocarem no caminho até acharem uma saída.

Sem maiores novidades no desenvolver da estória o ponto forte fica por conta do 3D bem utilizado em sequências ora realçando o ambiente ora destacando a brutalidade com balas perfurando tórax ou esfacelando rostos. Outro fator é a inexploração do personagem título, Dredd, estando presente para combater inimigos e aplicar a lei sob qualquer custo, mas pouco se sabe sobre ele e até termina ajudando nesse sentido aumentando o mistério que o envolve.

Comparado ao longa-metragem anterior este é o que mais está próximo das esquetes em HQ envolvendo o juiz Dredd, violento e de fácil resolução nos casos apresentados onde normalmente o poder da bala é a resposta para todos os problemas. Pode não ser o melhor filme em cartaz no momento, passa bem longe disso, mas diverte pela ação e como se desenvolve tornado assim agradável para quem aprecia tal seguimento.


NO UNIVERSO DOS QUADRINHOS

Criado na década de 70 pela dupla John Wagner e Carlos Ezquerra para a revista inglesa 2000 A.C, especializada em contos de ficção científica, o juiz representa a ordem num futuro decadente no qual criminosos passam imperar através do medo das pessoas perante a sociedade corrompida.

As aventuras de Dredd não são extensas e quase sempre poucos elaboradas no qual traz o oficial da lei estourando cérebros e os jogando contra paredes, outra característica que deve ser levada em consideração é o humor negro presente em algumas situações.

No Brasil pouca coisa do personagem foi publicada, mas volta e meia apareceu no mundo da DC Comics, precisamente, em tramas do Batman. A primeira numa das passagens mais sombrias na minissérie intitulada Julgamento em Gotham (1991), Vingança em Gotham (1995), A Charada Definitiva (1998) e em outra minissérie de três partes Morra Sorrindo (1998).


O PRIMEIRO FILME

Apesar de Silvestre Stallone ser fisicamente um melhor Dredd do que Karl Urban na nova adaptação e de contar com atores premiados como o sempre competente Max von Sydow ou outros de destaque a exemplo de Diane Lane e Rob Schneider além de uma boa caracterização o filme produzido pela quase extinta Hollywood Pictures, propriedade da Disney, terminou não agradando por mudar radicalmente o enredo envolvendo o personagem e diminuindo a violência esperada.

A trama pouco envolvente trás o juiz sendo acusado por um assassinato que não cometeu e uma rede de intriga relacionada aos comandantes da lei, mas parecendo trabalhos anteriores de Stallone como Condenação Brutal (1989), Tango & Cash - Os Vingadores (1989), O Demolidor (1993) do que propriamente a figura marcante dos quadrinhos, sendo fracasso de bilheteira por ter arrecadado valores significativamente menores do que o custo da produção fazendo dessa forma inferior do que o novo filme.


O NOVO DREDD

Figurinha já conhecida no cinama de ação Karl Urban esteve em projetos como a adaptação do jogo de tiro em primeira pessoa Doom - A Porta do Inferno (2005), Desbravadores (2007) e Padre (2011) além de participações menores em dois filmes de O Senhor dos Anéis e Star Trek.

No filme atual interpreta o personagem tema e em nenhum momento retira o capacete, marca dos juizes patrulheiros, diferente de Stallone que passa a maior parte do tempo sem usá-lo. O Dredd vivido pelo ator norte-americano e que começou a carreira na série Hercules possui feição mais séria do que a da primeira versão.

Em resumo, além do filme lançado recentemente ser melhor do ponto de vista técnico como efeitos especiais, ambientação, roteiro é melhor também no quesito de desenvolvimento do personagem central apesar de Stallone ser aparentemente o Dredd saído dos quadrinhos o de Urban é mais parecido enquanto em ação.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

O samba-rock que ainda respira e muito bem



Vencedores do 23º Prêmio Tim de Música Brasileira, Melhor Grupo, pelo álbum Novas Lendas da Etnia Toshi Babaa, a banda originada no bairro de Candeias mostra que com quase trinta anos permanece na ativa preservando a excelente qualidade musical caracterizada desde sua fundação encabeçando o manifesto "Caranguejos com Cérebro" originando posteriormente o Manguebeat, um dos mais importantes movimentos criado pela contracultura recifense no século XX.

Buscando aprimorar a estética particular transmanchine, desenvolvida pela própria banda, como forma de remodelar elementos do shake e samba através da cultura de raiz pernambucana faz do disco lançado ano passado, contendo onze composições inéditas, um dos mais peculiares da discografia recente. Novas Lendas da Etnia Toshi Babaa faz jus a personalidade construída em meio tantos anos, músicas com temática envolvendo o cotidiano a exemplo de "Ela é Indie".



Criado em 1984, mas só apenas lançando o primeiro disco dez anos após de fundado sob título Samba Esquema Noise, clássico incontestável e um dos melhores trabalhos na representação do manguebeat tornando-se um marco não apenas para o grupo e sim para toda uma geração em formação ligada a cultura popular local. Bandas como o próprio Mundo Livre S/A, Chico Scense & Nação Zumbi, Faces do Subúrbio e a extinta Mestre Ambrósio que apesar de apresentarem diferentes gêneros estavam interligadas enquanto movimento.

No momento o grupo liderado por Fred 04 segue em turnê tendo shows previstos neste mês nas cidades mineiras de Belo Horizonte, Juiz de Fora e Uberlândia divulgando a nova composição da discografia recentemente premiada no Theatro Municipal do Rio de Janeiro mostrando a boa fase atual. Em entrevista ao site Rock-o-Rama Fred comentou da vontade de criar um projeto musical paralelo ao Mundo Livre S/A com parceiros de grupo e convidados especiais, mas ainda sem nome ou data pré-definidas demonstrando que ainda tem muita música para cantar.


ÁLBUNS LANÇADOS

Samba Esquema Noise (1994)

Talvez junto com Da Lama ao Caos de Chico Sciense & Nação Zumbi seja o maior expoente do movimento manguebeat apresentando a vertente marcante do último grande movimento musical brasileiro do Século XX.

Aclamado como um dos melhores discos dos anos 1990 e mais tarde como um dos melhores de todos os tempos nacionais. Apresentando canções como Manguebit, Livre iniciativa e Homero, o Junkie.

Guentando a Ôia (1996)

Lançada dois anos após o brilhante álbum de estréia, tão boa quanto, este contempla trazer novas canções, algumas com batidas mais frenéticas do que no antecessor a exemplo de Roendo os restos de Ronald Reagan, que não faz referência ao ex-presidente norte-americano.

Outras músicas de destaque são: Leonor, Destruindo a camada de ozônio, Free word, Computadores fazem arte, Desafiando Roma, Militando na contra-informação.

Carnaval na Obra (1998)

Terceiro disco e último na década de 1990. Quem sabe junto com Afrociberdelia (1997) de Chico Sciense & Nação Zumbi e Fuá na casa de Cabral (1998), Mestre Ambrósio, represente o auge do Manguebeat já que em seguida passa ter menor destaque como movimento.

Composto pelas músicas Ultrapassado, Maroca, Negócio do Brasil, O africano e o ariano, Compromisso de morte entre demais forma um bom, mas não excelente álbum.

 Por Pouco (2000)

Pode ser que seja o cd com a maior quantidade de letras que caíram no gosto popular como as belíssimas Meu Esquema e Garota de Ipanema, numa versão estilizada, do eterno clássico de Vinícius de Moraes.

Por Pouco é o álbum mais próximo da MPB que o grupo tenha feito ao longo desses anos preservando a autenticidade do samba apresentada na canção de abertura O mistério do samba.

O Outro Mundo de Manuela Rosário (2004)

Após a discografia impecável de Por Pouco, um dos melhores trabalhos até aqui, Fred 04 junto os componentes do Mundo Livre S/A trazem letras ora cômicas ora engenhosas retratando a confusão presente no cotidiano das pessoas por impasses envolvendo situações políticas ou pessoais misturando aspectos já tão presente como a criatividade e espontaneidade, mas sempre prezando pela variedade de gêneros como maracatu, samba, rock e fortes batidas eletrônicas.

Bebadogroove - EP (2005)

Até agora o único projeto realizado em vinil. Contendo sete faixas entre elas a inteligente, não é para menos em se tratando de Mundo Livre S/A, Laura Bush tem um senhor problema com uma sonoridade digna de todos os méritos recebidos pelos arranjos da canção.

O experimentalismo nas músicas assim como a criatividade sempre esteve presente no repertório da banda e Bebadogroove é a síntese dessa composição.

Combat Samba - E Se a Gente Sequestrasse o Trem Das 11? (2008)

Coletânea de algumas músicas já gravadas e a inédita Estela (A Fumaça do Pagé Miti Subitxxy) é o que forma este cd, não fica entre os melhores já criados, porém, mesmo assim passa longe de ser considerado ruim.

No repertório estão letras como O mistério do samba (Por Pouco), Livre iniciativa (Samba Esquema Noise) e A expressão exata (Carnaval na Obra).

Novas Lendas da Etnia Toshi Babaa (2011)

Sétimo e no momento último disco lançado pela gravadora Coqueiro Verde e que busca relembrar projetos anteriores, chegando mais próximo de Por Pouco, precisamente, do que qualquer outro.

Melodias de fácil compreensão e sonoramente leve, já tão presente, como Constelação carinhoca e O Velho James Browse já dizia remetendo idéia de antigas marchinhas de carnaval de blocos.


segunda-feira, 24 de setembro de 2012

A excessividade da trilogia Millennium



Após ser lançado em 2008, primeiramente na Suécia e em seguida para o resto do mundo, a série Millennium do autor Stieg Larsson, falecido antes das publicações de suas obras, logo se tornou recordista de vendas por onde passasse caracterizando desta forma como verdadeiro best-seller no qual trás a dupla formada pelo editor da revista Millennium, Mikael Blomkvist, jornalista sensato que busca desmantelar vários escândalos envolvendo o governo sueco; e a jovem investigadora Lisbeth Salander, provida de um temperamento explosivo.

Dito se tratar de uma coleção forte que busque revelar a complexidade das personagens, ações controvertidas e consequências das ações movida às vezes pela verdade, sobrevivência ou vingança até sendo exageradamente chamado de o "Crime e Castigo do Século XXI" a narrativa apresentada nos três volumes contém alguns mistérios que se não chegam ser surpreendentes ao termíno causam satisfação quando reveladas por Larsson justificando a fórmula do bom romance policial, induzir pequenas descobertas que contribuam para o desenvolvimento seguro da trama.

Não dá para elevar ao patamar clássico de Dostoiévski, Millennium está mais próximo da trilogia vivenciada pelo professor universitário Robert Langdon e distante da perfeição ao qual foi intitulado ou quase sendo uma versão escrita de Jason Bourne e sua luta para recuperar a identidade em meio conspirações. Tal afirmação não procura desmerecer, ambos exemplos são bem valorizados cada qual em sua área, mas assim sendo uma agradável leitura, porém, pouco daquilo tão falado.


O melhor comparado aos demais. Uma ambientação sombria, misteriosa e violenta cercada pela dúvida de quase quarenta anos que atormentam Henrik Vanger, influente empresário aposentado membro de uma importante família, sob o desaparecimento de sua sobrinha acreditando que ela tenha sido assassinada por alguém próximo passando assim desconfiar de todos seus parentes incluindo dos próprios pais da garota mesmo após tantos anos.

Enquanto isso Mikael Blomkvist, protagonista da série junto com Lisbeth, é condenado à prisão devido ter perdido uma importante causa contra um poderoso magnata. Aproveitando da situação Henrik convence Mikael mudar-se para a ilha na qual mora com o restante da família tendo como real objetivo reabrir as investigações pelo mistério por trás do desaparecimento da então jovem sobrinha e como pagamento possíveis provas sobre a culpa do magnata que o prejudicou.

Paralelamente Lisbeth Salander, a garota da tatuagem de dragão, está no meio de uma forte crise envolvendo seu novo tutor já que ela apesar da maior idade é considerada incapaz por conta do passado traumático justificando dessa maneira parte da personalidade destrutiva. Trabalhando numa empresa ligada aos interesses de Henrik Vanger termina envolvida no caso da garota supostamente morta começando dessa maneira a parceria com Mikael.

Intrigas à parte o teor denso misturando questões relacionadas à violência principalmente contra mulheres sejam elas físicas, psicológicas ou sexuais partindo muitas vezes de alguém próximo faz do livro o melhor e mais completo do conjunto. A personagem Lisbeth é bem construída, até mais desenvolvida do que Mikael, o enredo agrada aos adeptos dos romances investigativos, a premissa é bastante interessante, mas peca em algumas passagens tornando extensas demais.

Talvez se a trilogia Millennium começasse e terminasse com este exemplar, sem fazer necessário continuações, poderia ser que o impacto da obra tivesse sido mais forte, entretanto, apesar do final satisfatório Stieg Larsson deixa algumas pontas servindo de ganchos para os outros volumes que passam explorar o senso de justiça de Mikael e a busca por vingança da exótica Lisbeth reforçando teorias conspiratórias que são completamente desnecessárias.


O começo do declínio. A trama gira em torno do mundo da espionagem e os personagens passam desfrutar de uma perfeição artificial principalmente por parte de Mikael Blomkvist que de jornalista voltado as facaltruas políticas torna-se uma espécie de detetive como única razão resgatar Lisbeth da perigosa teia mortal na qual se encontra envolvendo assassinatos, a origem da sua psicose e o drama familiar formado pela mãe doente e o pai cruel.

A garota da tatuagem de dragão é acusada das mortes de três pessoas, sendo uma delas responsável pelos maus tratos sofridos no primeiro livro, e um casal ligado a uma das matéria mais escandalosa da Millennium desde o episódio do magnata relacionando personalidades suecas com prostituição e tráfico de mulheres. Para complicar Lisbeth Salander simplesmente some dando entender as autoridades que é culpada passando ser considerada doente mental pelo fato de no passado ter sido interna de um hospital psiquiátrico.

Surge ainda a figura de um homem descomunalmente forte que atravessa o caminho de Lisbeth, primeiro despercebido, mas gradativamente tentando todo custo prejudicá-la enquanto essa parte desenvolve Mikael depara-se com segredos de estado da Suécia estando mesmo indiretamente relacionado ao passado da problemática garota e descobre que quem passa ter conhecimento desses fatos termina morrendo.

O pecado principal deste é transformar Lisbeth Salander, personagem incontestavelmente forte, numa mulher-maravilha: ela vira especialista em disfarce, invade apartamentos, cria armadilhas complexas, luta contra homens do triplo de seu tamanho. Apesar da boa construção psicológica, dos traumas da infância, da magoa decorrente uma vida desfarcelada é exagero dar esse rumo, de pessoa incompreendida à justiceira implacável para até quem pouco tempo atrás era figura de desconfiança aos demais do seu convívio.

Outro fator que ainda deve ser apontado é a maçante quantidade de páginas irrelevantes contendo fragmentos de subtramas que em nada vão ajudar colocadas para ocupar espaço sem serventia alguma. Entre deslizes, o livro compensa por sua agilidade perante ações de aventura, mas sem ter alto grau de suspense fazendo-o inferior ao primeiro, contudo, devidamente concluído como ponte para a última parte.


O menos empolgante e o mais óbvio. A partir daqui não terá grandes reviravoltas no mundo até então apresentado confirmando apenas os desfechos das inúmeras pontas deixadas entre a transição do segundo para o terceiro volume sem qualquer acréscimo de informação considerável sendo burocrático, morno, e até pouco desafiador enquanto ato final demonstrando certo desgaste aos personagens e as características já amadurecidas.

Após acontecimentos que finalizaram a segunda parte Lisbeth Salander agora terá de responder na justiça os diversos crimes que está sendo acusada além de ter de lutar por sua inocência também precisará batalhar por sua vida, devido revelações envolvendo o mais alto escalão do governo sueco numa inimaginável rede de corrupção tão bem arquitetada que se revelada poderá mudar o destino do país perante seus governantes.

O jornalista Mikael Blomkvist continua investigando para ajudar sua parceira e desmascarar os verdadeiros culpados, mas agora ele não está sozinho, possui um grupo de aliados incluindo sua irmã, Annika Giannini, advogada que irá defender Lisbeth, e o inspetor de polícia Jan Bublanski, este indo contra as provas levantadas pela promotoria por acreditar faltar elementos cruciais na acusação partindo em sua própria busca.

Chega ser fadonho tal processo, circulando entre os mesmos elementos, causando o desgaste falado anteriormente, deixando ser guiado pela estrutura concebida para a série, tudo passa encaixar sem mais empolgação, tanto Mikael e Lisbeth não tem para onde crescerem, o apogeu de um acontece logo no primeiro livro e do outro no segundo. A Rainha do Castelo de Ar é apenas formalidade para completar a trilogia.

Fora pormenores o enredo cativa por mostrar uma figura deslocada numa sociedade feroz, apesar de não mostrar essa faceta diretamente, mas relacionada aos fatos criados a cada capítulo, das circunstâncias e motivações tanto partindo dos benfeitores ou malfeitores. Stieg Larsson soube criar um plano de fundo bem composto, entretanto, insólito em alguns momentos só que como leitura de cabeceira entretém sem maiores exageros.


VERSÃO GRAPHIC NOVEL

Aproveitando para adaptar em novas mídias, primeiro sendo a versão cinematográfica sueca com os três livros lançados em 2009 e uma americana produzida neste ano narrando o início da trama, chegou a vez da garota da tatuagem de dragão também ganhar as páginas da arte sequencial pela editora Vertigo.

O projeto encabeçado pela escritora escocesa Denise Mina acompanha do desenhista argentino Leonardo Manco e do também desenhista italiano Andrea Mutti, todos com passagens por edições de Hellblazer. A trajetória da trilogia Millennium será divida em seis publicações, apresentando a primeira parte de "Os homens que não amavam as mulheres" agora em novembro.

Por aqui, provavelmente, seja lançada pela Panini Brasil já que esta traduz edições da Vertigo, mas ainda sem saber se será lançada simultaneamente ou se terá de esperar.


STIEG LARSSON, O AUTOR

Apesar da construção de uma das séries literárias mais bem sucedidas da atualidade não dá para colocar Stieg Larsson entre um dos melhores escritores dos últimos tempos como também alguns fizerem até porque ele concluiu apenas essa obra sem ter tido oportunidade de desenvolver novas para se ter uma idéia da solidez de sua biografia enquanto romancista.

Escrever um bom livro não significa ser necessariamente um bom escritor, já teve casos de pessoas começarem sua carreira no meio elogiadas só que com passar dos lançamentos irem caindo de produtividade da mesma forma como alguns tão criticados melhorarem.

Infelizmente devido a morte do autor não saberemos em que perfil se encaixa, na de um excelente contador de histórias ou mediano, mas o importante é saber que se não fez uma trilogia tão estimada quanto imaginada ao menos garante passar o tempo sem desperdício.